Nossa mobilidade urbana de cada dia – Dia 2

Acompanhar o noticiário matutino, acessar as redes sociais e garimpar informações sobre a situação no trânsito antes de sair de casa ou do trabalho já têm feito parte da rotina das pessoas.

Para minimizar os efeitos do tráfego pesado, da desorganização do trânsito, da imprevisibilidade do sistema de transporte público, as pessoas fazem o que está ao seu alcance.

Aliás, lidar com a imprevisibilidade é um exercício diário para quem vive numa metrópole como o Rio de Janeiro. Embora já existam aplicativos que prometem acompanhar o percurso e prever a chegada dos ônibus, eles ainda são restritos a um grupo muito pequeno de usuários. Para quem não conhece, vale a pena experimentar o que mais tem se popularizado, o Moovit, que pode ser acessado tanto na Google Play, quanto na Apple Store. O Jornal RJ TV vai inclusive usar os dados do aplicativo para informar o tempo de deslocamento nos ônibus (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/03/bom-dia-rio-usa-aplicativo-que-mostra-estimativa-das-viagens-de-onibus.html).

No contexto atual, qualquer ajuda é bem vida. Principalmente em uma metrópole onde o tempo que se gasta na espera e no embarque é um problema antigo e que atinge todos os modos de transporte público na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O aumento da velocidade comercial dos ônibus com certeza contribuiria para a diminuição do tempo dos deslocamentos diários e, consequentemente, para a melhoria do bem-estar da população.

Claro que não é só isso. A desorganização do sistema com reflexos na operação é uma marca registrada do transporte público no Rio. Hoje, por exemplo, resolvi sair de casa um pouco mais tarde diante das notícias sobre o trânsito que surgiram logo pela manhã: acidente na ponte Rio-Niterói e manifestações no Centro da cidade indicavam um cenário bastante negativo.

No meu primeiro trecho, que vai de São Cristóvão até a Av. Francisco Bicalho, tudo dentro do normal. Peguei o ônibus às 11:00h e dez minutos depois estava desembarcando para pegar o ônibus do segundo trecho, o 485, que me levaria ao Fundão. A imagem mostra os trechos percorridos (a linha laranja representa o primeiro e a vermelha o segundo).

trechos_dia2

 Itinerário “kinder ovo”

Partindo da ideia de que tudo corria dentro da normalidade, meu cálculo é que em 10 minutos estaria desembarcando no Prédio da Reitoria, na UFRJ, onde trabalho e teria uma reunião ao meio-dia.

O problema é que nessa linha existe um itinerário “kinder ovo”. O passageiro entra no ônibus esperando que vai percorrer o itinerário de todos os dias e, então, SURPRESA! O caminho seguido é completamente diferente e, pior, mais longo.

Na verdade, essa é uma prática recorrente na empresa dessa linha. O a configuração do itinerário sempre é conveniente para a empresa, mesmo que seja prejudicial para o usuário. No ocorrido de hoje, o percurso que deveria demorar 10 minutos, durou mais que o dobro, não só porque o caminho é mais longo e passa por alguns semáforos, mas porque o motorista também resolveu parar para comprar seu almoço. Foi então que a cobradora desembarcou e pegou duas quentinhas que provavelmente já estavam encomendadas. No fim das contas a viagem, que hoje tinha tudo pra durar menos de meia hora, durou quase uma, contando o tempo de espera. Mas, ufa, pelo menos uma parte da viagem não estava ameaçada pela imprevisibilidade e ninguém iria morrer de fome!

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