Mais uma tragédia!

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Mais uma tragédia no transporte público do Rio de Janeiro deixou até agora seis pessoas mortas. Ainda, dos 40 passageiros, 33 passageiros ficaram feridos e três estão internados em estado grave. Trata-se da quarta tragédia ocorrida no transporte público na região metropolitana nos últimos dois anos:

  1. Bonde de Santa Tereza (27 de agosto de 2011) – 6 pessoas mortas; mais de 50 feridos;
  2. Ônibus 484: o motorista perdeu a direção do veículo, invadiu a calçada onde havia um ponto de ônibus e bateu em um muro no Bairro do Caju (12 de junho de 2012) – 5 pessoas mortas; 21 feridos.;
  3. Ônibus 328: caiu da altura de 10 metros viaduto Brigadeiro Trompowski, localizado sobre a Avenida Brasil – 9 pessoas mortas;
  4. Ônibus Viação Itaguaí: caiu da altura de 15 metros de um viaduto que fica na Avenida Prefeito Isoldackson Cruz Brito e passa por cima de uma estrada de ferro – 6 pessoas mortas.

Nos últimos tempos, outras ocorrências graves envolvendo veículos do transporte público somam-se a essas tragédias. Mais do que verdadeiras tragédias humanas, esses fatos expõem a precariedade do transporte público, que diariamente coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Os ônibus, que deveriam apenas cumprir o simples papel de transportar as pessoas de um lugar para outro, estão se tornando verdadeiras máquinas assassinas. Somente em abril de 2013, mesmo mês da tragédia do ônibus 328, foram 5 ocorrências com feridos:

Dia 10 de abril de 2013 – ônibus da linha 685 colidiu com um posto de gasolina na Rua Clarimundo de Melo no bairro de Quintino Bocaiúva na cidade do Rio de Janeiro. 1 pessoa morta; 3 feridos.

Dia 14 de abril de 2013 – acidente entre um ônibus e um carro no Trevo das Margaridas no bairro Parada de Lucas na cidade do Rio de Janeiro – 29 feridos.

Dia 16 de abril de 2013 – ônibus da linha 43 (viação Rosana) tombou no bairro de Tribobó em São Gonçalo – 26 feridos.

Dia 17 de abril de 2013 – ônibus da linha 435 subiu a calçada na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, e atingiu uma lanchonete, a portaria de um prédio residencial e uma banca de jornal. Quatro pessoas ficaram levemente feridas. Por sorte a tragédia não foi maior.

Dia 25 de abril de 2013 – Cinco ônibus e dois carros colidiram na Alameda São Boaventura, no bairro do Fonseca, em Niterói – 25 feridos.

As consequências da precarização do sistema de mobilidade, especialmente dos transportes coletivos, são cada vez mais trágicas. Uma das marcas dessa precariedade é a dupla função exercida pelo motorista, que faz às vezes de cobrador. Nos microônibus, como o da viação Itaguaí, esse expediente é ainda mais comum. É evidente que a utilização deste expediente não se dá apenas pela falta de competência operacional das empresas. Na verdade, colocar o motorista também para cobrar a passagem é uma recurso empresarial com o claro objetivo de diminuir custos e maximizar os ganhos. Essa é uma estratégia fundamental do modelo que privilegia apenas a produtividade e o lucro em detrimento da qualidade do serviço e, consequentemente, do bem-estar do usuário e dos direitos humanos.

Infelizmente, a única pergunta que podemos fazer diante da triste previsibilidade dessas tragédias anunciadas é quando será a próxima, pois temos muitos motivos pra acreditar que esta não foi a última!

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