Aumentos abusivos no preço das passagens x Qualidade do transporte público no Rio de Janeiro

Nos últimos anos, os preços das passagens no Rio de Janeiro não vêm sofrendo apenas reajustes ou correções tarifaria como querem nos fazer acreditar. Tem ocorrido, na verdade, aumentos abusivos acima de qualquer índice de inflação. Vale lembrar que IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medido pelo IBGE) terminou 2011 em aproximadamente 6,5%. O IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado, calculado pela FGV) no acumulado dos 12 meses de 2011, ficou em 5,09%. Este último é utilizado geralmente para balizar os aumentos dos contratos de aluguel e das tarifas dos serviços público, entre eles as dos transportes.

Os aumentos abusivos no Rio de Janeiro, a exemplo do que ocorreu com as passagens de ônibus no dia 1º de janeiro de 2012, não são previamente anunciados, configurando verdadeiras manobras por parte do poder público em conluio com as empresas para que qualquer tipo de manifestação fosse previamente realizada. Neste caso específico, a passagem que custava R$ 2,50 passou a custar R$ 2,75, um aumento, portanto, de 10%. A passagem do metrô já havia passado de R$ 2,80 para R$ 3,10 que é – como aponta recente levantamento realizado pelo site de notícias G1 (http://glo.bo/zTygTi) – a passagem de metrô mais cara do país. No dia 2 de fevereiro de 2012, chegou a hora dos trens. O usuário que antes pagava R$ 2,80 passa a desembolsar R$ 2,90 por viagem. Parece pouco, mas R$ 0,10 é uma fortuna diante do péssimo serviço prestado. São diários os problemas com os trens operados pela empresa Supervia Trens Urbanos, que também opera o transporte de passageiros no Teleférico do Alemão. No dia do aumento, coincidentemente ou não, usuários tiveram que caminhar por centenas de metros sobre os trilhos após os trens que fazia o trajeto Central do Brasil-Campo Grandes apresentar uma pane. Além disso, usuários reclamam de atrasos, superlotação e do calor desumano, sendo constantes as denúncias de que o ar condicionado, nas composições que os tem, é constantemente desligado (Cariocas sofrem com transportes em que ar-condicionado é luxo: http://glo.bo/NzuUYb). O calor nos trens, mais acentuado agora no verão, está sendo inclusive objeto de uma campanha dos usuários nas redes sociais.

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Usuáriso caminham sobre linha férrea após pane dos Trens da Supervia.

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Passageiros aguardam por trem em plataforma abarrotada

Os usuários do transporte aquaviário no Rio de Janeiro não ficarão livres dos aumentos abusivos e inadvertidos. Estão previstos aumentos, a partir do dia 1º de março de 2012, nas tarifas das linhas Rio de Janeiro-Niterói, Rio de Janeiro-Ilha de Paquetá, Mangaratiba-Ilha Grande e Angra dos Reis-Ilha Grande. Neste caso, os usuários vêm sofrendo com a precariedade do serviço, que inclui os atrasos, superlotação e, o mais grave, insegurança que coloca em risco a vida dos passageiros. No dia 28/11/2011, por exemplo, uma barca, que fazia o trajeto Niterói-Rio de Janeiro, bateu quando chegava na Estação da Praça XV. Na ocasião o catamarã Gávea I se chocou violentamente duas vezes contra o píer, deixando 55 feridos, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

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Interior de uma das barcas que realizam o trajeto Rio-Niteroi

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Usuários aguardam por Barca em estação lotada.

Não podemos esquecer que, no que diz respeito ainda aos custos da mobilidade, e como estabelece os tratados internacionais de direitos civis, estes estão diretamente relacionados à garantia do direito que toda pessoa tem de um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar. Sendo assim, é preciso lembrar que os gastos das famílias com transporte no Brasil vêm aumentando gradativamente nas últimas décadas. Na década de 1970, segundo o IBGE , 11,2% das despesas das famílias eram despendidos com transporte. No início dos anos 2000, 18,4% do orçamento familiar já eram destinados às despesas com transporte . No final desta década, esse percentual chega a 19,6% , praticamente se igualando aos gastos com alimentação, que são de 19,8%.

A integração intermodal, que poderia ser um importante mecanismo de redução dos custos das viagens, é baixíssima. O Rio tem sido colocado como a cidade da bicicleta, mas, por exemplo, das 35 estações do metrô, apenas 11 contam com bicicletários. Além disso, o número de vagas – apenas 206 nas 11 estações – parece insuficiente diante do potencial de uso desses veículos não motorizados como meio de transporte e o embarque das bicicletas nos vagões é permitido somente aos sábados, domingos e feriados.

Na realidade atual da cidade metropolitana do Rio de Janeiro, enquanto p Poder Público promete “revolução nos transportes” a partir das intervenções ligadas à realização da Copa e dos Jogos Olímpicos, o serviço de transporte coletivo que é oferecido à população continua se configurando como caro, precário e insuficiente para a demanda existente.

(Este texto é uma versão motificada de um trecho do Item Mobilidade Urbana do Dossiê escrito por mim para o dossiê “Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro” disponível em http://comitepopulario.wordpress.com/2012/04/20/baixe-agora-dossie-megaeventos-e-violacoes-dos-direitos-humanos-no-rio-de-janeiro )

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