O transporte público no Rio de Janeiro ainda é capaz de nos surpreender (negativamente)

Quando você pensa que já poderia ter visto de tudo acontecer no precário transporte público do Rio de Janeiro, aparece um evento que te surpreende, ou melhor, que te choca. No dia 23 de janeiro, de 2012 por volta das 17 horas, quando voltava para casa no ônibus da linha 457, cujo itinerário é Abolição-Praça General Osório (Ipanema), fui testemunha – ou uma vítima em potencial – de um evento típico que demonstra e comprova a precariedade do serviço de transporte coletivo que nos é oferecido e que pagamos (caro) por ele.

Quando o veículo trafegava em alta velocidade em direção ao túnel Santa Bárbara fui surpreendido por uma freada brusca. Até aí tudo bem, seria mais uma delas, afinal elas são muito comuns, mas não foi, e a surpresa ocorre por dois motivos. Primeiramente, a freada ocorreu em pleno elevado 31 de março, uma via expressa (paralelo ao sambódromo) em que os carros são quase que obrigados a trafegar em alta velocidade; quem conhece o Rio e passa por ali sabe muito bem do que estou falando. Em segundo lugar, pelo burburinho que ocorreu no interior do ônibus. Motorista, trocador (principalmente ele) e alguns passageiros se agitaram de tal maneira que minha primeira impressão, por distraído que sou, foi de que algo de sério estava acontecendo. Um assalto! Um acidente talvez! Não, nada disso! O motorista parou bruscamente para que o trocador e alguns passageiros descessem do ônibus – não para socorrer alguém acidentado, neste caso, felizmente – mas para pegar algumas bolas (de futebol e voleibol) que caíram de um caminhão que as transportavam. O sagaz trocador voltou ao seu posto, presenteando, claro, o motorista com uma das bolas e a viagem continuou como se nada tivesse acontecido, afinal, tudo indica que para eles valeria a máxima do “achado (ou caído de caminhão) não é roubado”. Muito político corrupto deve pensar segundo essa lógica.

Esse ato de irresponsabilidade, que colocou em risco as pessoas que estavam no ônibus, inclusive o trocador e os passageiros que desceram, não se compara a outras tragédias provocadas pelos descaso com o transporte público como a do bonde de Santa Tereza ou aos verdadeiros desrespeitos aos direitos humanos a que são submetidos os usuários dos trens e das barcas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Fatos como esses, entretanto, vêm se somar as evidências de que empresas, ao não serem reguladas, fiscalizadas e, muito menos punidas pelos poder público, e que treinam e selecionam mal seus funcionários, não têm compromisso nenhum com o SERVIÇO PÚBLICO que prestam à população.

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